autor do mês de Fevereiro

António Lobo Antunes é o escritor que quer meter a vida toda num livro, num gesto, numa expressão. Traduz, em livros inclassificáveis, a essência do humano, na sua grandeza e miséria.
O escritor António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Foi a esta experiência na guerra que Lobo Antunes foi buscar grande parte da inspiração para redigir os seus livros. Após regressar a Portugal, Lobo Antunes foi trabalhar para o Hospital Psiquiátrico de Miguel Bombarda, em Lisboa.
Em 1979 publicou os seus primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, em 1980, Conhecimento do Inferno. Seguiram-se ao longo das décadas várias obras: Explicação dos Pássaros, (1981); Fado Alexandrino, (1983); Auto dos Danados, (1985); As Naus, (1988); Tratado das Paixões da Alma, (1990); A Ordem Natural das Coisas, (1992); A Morte de Carlos Gardel, (1994); A História do Hidroavião (com ilustrações de Vitorino), (1994); Manual dos Inquisidores, (1996); O Esplendor de Portugal, (1997); Livro de Crónicas, (1998); Exortação aos Crocodilos, (1999); Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, (2000); Que farei quando tudo arde?, (2001); Segundo Livro de Crónicas, (2002); Letrinhas das Cantigas (edição limitada), (2002); Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, (2003); Eu Hei-de Amar Uma Pedra, (2004); D'este viver aqui neste papel descripto: cartas da guerra ("Cartas da Guerra"), (2005); Terceiro Livro de Crónicas, (2006); Ontem Não Te Vi Em Babilónia, (2006); O Meu Nome é Legião, (2007); O Arquipélago da Insónia, (2008); Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?, (2009); Sôbolos Rios Que Vão, (2010); Quarto Livro de Crónicas, (2011); Comissão das Lágrimas, (2011); Não É Meia Noite Quem Quer, (2012); Quinto Livro de Crónicas, (2013); Caminho Como Uma Casa Em Chamas, (2014); Da Natureza dos Deuses (2015); Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera (2016); Até Que as Pedras Se Tornem Mais Leves Que a Água (2017) e A Última Porta antes da Noite (2018).
Os temas de grande parte dos livros de António Lobo Antunes estão relacionados com o processo que se desencadeou entre a passagem do fim do Estado Novo até ao momento da implantação da Democracia em Portugal. Nesse aspeto, as suas obras reportam-se a assuntos como o fim da Guerra Colonial, o fim daquele mundo burguês que existia até então e que era marcado por uma série de valores conservadores e retrógrados, os problemas da mudança social rápida que ocorreu com o 25 de Abril de 1974 e a consequente instabilidade a nível político vivida em Portugal. Todo esse processo teve sérias implicações ao nível das relações familiares, sendo assim abordado nos romances de Lobo Antunes, onde são retratadas famílias disfuncionais em que não existem referências e a comunicação entre os membros da família é escassa ou nula. Os seus romances são inclusivamente marcados por personagens anti-heróis que, de uma forma geral, exercem profissões liberais, oriundas das chamadas “boas famílias”.
O estilo de António Lobo Antunes reflete uma escrita densa em que o leitor necessita fazer um certo esforço e ter alguma concentração a fim de melhor entender. Um exemplo disso, são as comuns mudanças de narrador a meio do discurso, o que pode provocar no leitor a perda da linha de raciocínio.
O autor Lobo Antunes tem sido galardoado com vários prémios nacionais e internacionais, entre os quais o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa, por duas vezes; Prémio Europeu de Literatura, na Áustria; Prémio Ovídio, na Roménia; Prémio Internacional de Literatura da União Latina, em Roma; Prémio Rosalía de Castro, na Galiza; o Prémio Jerusalém de Literatura; Prémio Ibero-americano das Letras José Donoso; e, ainda, o Prémio Camões.
